Joelhos varo e valgo

As pernas “tortas” costumam gerar muitas dúvidas e até angústia entre pais e responsáveis. É comum ouvir comentários como “será que é normal meu filho andar com as pernas abertas?” ou “os joelhos dela estão muito juntos, isso vai se corrigir?”. A verdade é que grande parte dessas alterações faz parte do crescimento infantil e tendem a se resolver naturalmente, sem necessidade de intervenções.

Durante o desenvolvimento motor, é normal que os membros inferiores da criança passem por fases de deformidade angular. Ao nascer, é comum observar as pernas arqueadas (joelho varo). Por volta dos 2 a 3 anos, os joelhos começam a se aproximar, formando o joelho valgo (em “X”), e somente entre os 7 e 10 anos o eixo costuma se alinhar de forma mais definitiva.

O que preocupa, no entanto, são os casos em que a angulação é muito acentuada, persiste além da idade esperada, ou vem acompanhada de dor, quedas frequentes, limitação de movimento ou alterações na marcha. Nesses casos, é fundamental diferenciar o que é fisiológico — ou seja, esperado para a idade — daquilo que pode ter origem patológica, exigindo tratamento específico.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa com uma avaliação clínica cuidadosa. Durante a consulta, observamos o eixo dos membros inferiores, a forma de caminhar, o padrão motor da criança e eventuais queixas como dor ou limitação nas atividades.

Em crianças maiores ou nos casos em que há dúvida sobre o alinhamento ósseo, podemos solicitar exames de imagem, como radiografias dos membros inferiores em pé, que ajudam a medir com precisão os ângulos e a identificar possíveis causas secundárias — como doenças ósseas, sequelas de fraturas, tumores, infecções ou alterações congênitas.

Além disso, também avaliamos a rotação dos ossos da coxa (fêmur) e da perna (tíbia), que podem influenciar na postura e no alinhamento dos joelhos.

Como funciona o tratamento?

Para a maioria das crianças, o tratamento é a observação clínica, com acompanhamento periódico para garantir que o desenvolvimento siga dentro dos padrões esperados. Em muitos casos, o próprio crescimento corrige naturalmente o desalinhamento dos joelhos.

Entretanto, quando há deformidades persistentes, progressivas ou associadas a causas patológicas, outras medidas podem ser necessárias:

  • Correção cirúrgica: indicada em casos com risco de impacto funcional, dor crônica, alterações na marcha ou risco futuro de artrose. Pode ser realizada por meio de técnicas menos invasivas (como a hemiepifisiodese guiada) ou com osteotomias, dependendo da idade e do grau da deformidade.

  • Tratamento da causa base: como doenças metabólicas, sequelas de trauma ou alterações congênitas.

  • Acompanhamento multiprofissional, com fisioterapia quando indicado, especialmente em casos de dor, encurtamentos musculares ou alterações de marcha.

Crianças com joelhos varo ou valgo fisiológicos não costumam apresentar atraso motor. Elas rolam, engatinham, andam e brincam como qualquer outra criança. Mesmo nas deformidades leves que persistem, é comum que a função esteja preservada — e o maior incômodo, muitas vezes, seja estético.

Por outro lado, quando a deformidade é significativa ou patológica, pode causar dor nos joelhos, cansaço precoce ao andar, instabilidade articular, dificuldade nas atividades físicas e, a longo prazo, risco aumentado de problemas articulares, como condromalácia ou desgaste precoce da cartilagem.

Por isso, o acompanhamento adequado permite não só aliviar sintomas, mas também prevenir complicações futuras.

Recado para os pais:

Notou que o joelho do seu filho está para dentro (valgo) ou para fora (varo)? Isso pode ser perfeitamente normal — e fazer parte de uma fase natural do crescimento. Mas se você observar que a angulação está muito acentuada, que a criança sente dor, tropeça com frequência ou evita atividades físicas, vale a pena agendar uma avaliação.

Recado para os pais:

Notou que o joelho do seu filho está para dentro (valgo) ou para fora (varo)? Isso pode ser perfeitamente normal — e fazer parte de uma fase natural do crescimento. Mas se você observar que a angulação está muito acentuada, que a criança sente dor, tropeça com frequência ou evita atividades físicas, vale a pena agendar uma avaliação.

Na ortopedia pediátrica, cada caso é único. Avaliar com atenção e acompanhar de perto o crescimento dos pequenos é a melhor forma de garantir que eles se desenvolvam com saúde, segurança e liberdade para brincar e explorar o mundo com confiança.

Agende uma consulta e tire suas dúvidas sobre o alinhamento dos joelhos do seu filho.